Com mais de 200 profissionais negros e indígenas, iniciativa amplia o acesso a cuidados em saúde mental que consideram os impactos do racismo nos processos de sofrimento e adoecimento da população negra.
Criado pelas estudantes Bárbara Borges e Francinai Gomes, o Pra Preto Psi anuncia uma nova etapa de sua atuação no campo da saúde mental da população negra. A iniciativa ampliou sua rede profissional e passa a reunir, além de psicólogas, médicos de família e comunidade, residentes em saúde mental e psiquiatras com experiência e repertório para uma prática clínica antirracista.
A ampliação responde a uma demanda que vinha se tornando cada vez mais presente entre as pessoas que procuram o projeto: o acesso não apenas à psicoterapia, mas também ao acompanhamento médico e psiquiátrico realizado por profissionais capazes de considerar os efeitos do racismo na experiência de saúde e adoecimento.
Em uma sociedade atravessada por desigualdades raciais, compreender o sofrimento psíquico exige olhar também para as condições concretas em que a vida acontece. Racismo, violência, precarização do trabalho, desigualdade de renda, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e diferentes formas de vulnerabilização podem participar diretamente da maneira como o sofrimento é produzido, percebido e cuidado.
É nesse contexto que o Pra Preto Psi aposta na ampliação de uma rede de profissionais comprometidos com uma atuação clínica racializada. Mais do que uma característica identitária de quem atende, a proposta pressupõe repertório técnico, ético e político para reconhecer a dimensão racial como um dos elementos que podem atravessar a saúde, a construção de vínculos, o acesso ao cuidado e as experiências de sofrimento da população negra.
Uma rede com mais de 200 profissionais em todo o Brasil
O novo catálogo do Pra Preto Psi reúne mais de 200 profissionais negros e indígenas, entre psicólogas e médicos, com diferentes abordagens, especialidades e repertórios de trabalho relacionados à promoção da saúde mental da comunidade negra.
Na área médica, passam a integrar a rede profissionais da Medicina de Família e Comunidade, médicos residentes com atuação em saúde mental e psiquiatras. A composição busca ampliar as possibilidades de cuidado e reconhecer que as demandas relacionadas à saúde mental também atravessam diferentes campos da medicina.
A presença de médicos de família e comunidade é particularmente importante nesse cenário. Por sua formação voltada ao cuidado integral, longitudinal e contextualizado, esses profissionais podem atuar no acompanhamento de diferentes demandas de saúde mental, considerando não apenas sintomas isolados, mas também aspectos familiares, comunitários e sociais que participam das condições de vida dos pacientes.
A iniciativa não propõe, portanto, que a racialização da clínica substitua critérios técnicos ou especializações profissionais. O movimento é outro: incorporar ao cuidado em saúde uma dimensão que historicamente foi negligenciada, reconhecendo que raça e racismo também produzem condições distintas de viver, adoecer e acessar tratamento no Brasil.
Como encontrar atendimento pelo Pra Preto Psi
Pessoas interessadas em iniciar acompanhamento podem acessar diretamente o catálogo profissional do Pra Preto Psi, conhecer os perfis disponíveis e buscar profissionais de acordo com suas necessidades.
Também é possível participar dos ciclos de triagem social promovidos pela iniciativa, destinados a ampliar o acesso ao cuidado para pessoas que necessitam de atendimento a valores sociais. Por meio da triagem, o projeto realiza o direcionamento considerando a demanda apresentada e a disponibilidade dos profissionais da rede.
A ampliação para a área médica fortalece, assim, uma proposta de cuidado que entende saúde mental para além de respostas individualizadas. Ao reunir diferentes categorias profissionais, o Pra Preto Psi busca construir caminhos de atenção capazes de dialogar com a complexidade das experiências da população negra e indígena brasileira.
Seleção para médicos segue aberta
A rede continua recebendo inscrições de médicos interessados em integrar o Pra Preto Psi. O processo seletivo permanece aberto até 5 de setembro e é direcionado a profissionais com CRM ativo e atuação antirracista comprovada.
Podem participar profissionais interessados em desenvolver uma prática comprometida com o cuidado em saúde da população negra e com a compreensão dos impactos das desigualdades raciais nos processos de saúde e sofrimento.
As inscrições são realizadas por formulário disponibilizado no site do Pra Preto Psi.
Para conhecer a rede, consultar profissionais, buscar atendimento ou saber mais sobre o processo seletivo, acesse rede.prapretopsi.com.br.